A Saúde no Brasil está passando por uma intensa transformação e não é só com relação ao perfil epidemiológico: soma-se a isso a tendência de consolidação do setor (ainda pulverizado), as inovações tecnológicas e um cliente cada vez mais exigente e informado.

Hoje precisamos lidar com as questões inerentes ao envelhecimento, maior incidência de doenças crônicas e câncer ao mesmo tempo que enfrentamos doenças agudas e infectocontagiosas (inclusive algumas que já esperávamos ter nos livrado, como sarampo). Tal cenário exige resiliência e preparo dos profissionais e gestores de saúde até passarmos a ter um perfil mais homogêneo de agravos.

Quanto ao perfil do mercado de saúde no Brasil, os 4 maiores players de análises clínicas detêm apenas 18% do total e os 3 maiores planos de saúde no Brasil possuem hoje 30% do mercado (versus 80% e 61%, respectivamente, nos Estados Unidos). Em conversa com Luiz Penno, Managing Partner na Ártica Investimentos, o executivo explicou que a expectativa é de que a consolidação do setor Saúde aconteça ao longo dos próximos 10 anos – mas é difícil fazer uma previsão precisa. A recente entrada de capital estrangeiro na saúde e a pressão para lidar com a inflação específica do setor muito acima da média geral da economia têm influenciado essa tendência.

Para manter o controle da agenda da saúde do futuro, Sírio, Einstein, Santa Casa de Porto Alegre, Fleury e Dasa (só para citar alguns) criaram nos últimos anos áreas dedicadas à inovação que são responsáveis por desenvolver novas soluções, identificar parceiros, gerenciar e implementar projetos inovadores na instituição. O escopo é muito mais amplo que simplesmente equipamentos densos tecnologicamente e envolve também softwares de Inteligência Artificial, mudanças de processos e uso de aplicativos – uma resposta ao novo cliente, cada vez mais imerso no uso de tecnologias 4.0 e que favorecem um papel mais ativo do paciente.

Outro desafio que devemos enfrentar nos próximos anos é a expectativa do paciente e o uso de ferramentas digitais para o engajamento, maior adesão e, inclusive, o uso de terapias digitais. Já existem soluções homologadas para tratamento de ansiedade e depressão, por exemplo, doenças que devem aumentar ainda mais nos próximos anos. O executivo do futuro precisa desde hoje entender essas tendências e se preparar, encontrar sinergias, montar estruturas colaborativas para resolver os desafios da transição epidemiológica, conseguir acompanhar o ritmo da inovação e não ser atropelado na consolidação do setor.

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